quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sem título

As estrelas brilham mais na Praia do Abraãozinho. Será que é por que elas pensam que são pessoas?

A gata da pousada lambe seus cinco filhotes,
O cachorro pensa que é o pai...
E os lambe também.
Levei minha filha para comer Kebab, no francês.
Numa topada,
Tiro o tampo da sola do pé
Me esvaio em sonhos;
Os bichos notívagos me seguem,
Farejando o sangue que espalho.
Caminho até o mar,
Choro, varada de estrelas.
Choro por todas as estrelas que não brilharam em mim,
Meu corpo se dissolve agora em lágrimas, sangue e estrelas.
Tenho mais lágrimas do que a praia em que me banho nua.
Vestida com meus cabelos,  sal e sangue,
Flutuo sob os cacos das pedras
Enquanto durmo e sonho
Com anjos tocando trombeta para me acordar.
Minha amiga amamenta sua menina,
Tal a gata Miau sustenta os filhos.
Com tetas grandes, de deusa.
A pousadeira se ajoelha e me deposita um cobertor,
Nos ombros que ainda soluçam
De saudade das estrelas que não me pertenceram,
dor de amor.
Lava o meu pé,
Pinga na ferida gotas de própolis,
Que ela mesma prepara.
E o corte se fecha por milagre.

Deus abençoe aqueles que sofrem e
Dos humildes faça-se o reino dos céus.

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